Cansei de ser poeta. Poeta! E não poetisa, como falam alguns  por aí, acho essa palavra esquisita! Então… Cansei! Cansei dessa bobagem de querer ficar falando verdades, mensagens e imagens através dum jogo de palavras.

Sejamos sinceras, todo mundo me aplaude, todo mundo ouve, mas ninguém entende é coisa nenhuma dos versos que digo! Eu mesma não entendo, no momento em que escrevo! Por que é que entenderiam as outras(os)? Ah…poxa vida…! Ou quem sabe não entendem melhor que eu; e até rimam?

E não é que estou cansada de escrever… Estou cansada das pessoas lendo minhas poesias, e falando: “Ah…! Que gracinha!”- Ei! Eis aí um resultado de uma gestação eternamente longa, dum parto extremamente doloroso e acima de tudo catastrófico, sendo chamado de gracinha!? – Aliás, como bem o fazem na maternidade, as visitas inconvenientes, chamando os bebês mais mau-humorados de gracinha… Essa “carinha de joelho” que todo mundo fala, não passa duma antipatia à vida social por parte daqueles tequinhos de vida… Afinal; “quem foi o cretino que me tirou do útero de minha mãe? Estava tão confortável…!”- Foi o que pensei ao nascer.

Mas passa…Depois passa e as crianças, de fato, ficam bonitinhas. Alegres e curiosas a vida, falam, falam e não se cansam de tagarelar sobre suas experiências. – Eu também tive essa fase. Até hoje, aliás, tinha! (Quando decidi não escrever mais poesia.) Acabou que essa fase não findou na vida adulta, como acontece com maioria das pessoas… Acho que foi isso que me fez ser poeta. Mas não sou mais! Sou agora cronista, e aí de quem discordar dessa premissa!

É certo que não vou conseguir abandonar os sarais, mas é só pra confirmar a certeza… De que não quero mais! É certo, também, que quando eu me apaixonar de novo, vou escrever um poeminha bobo… Mas é só pra ter certeza!, que aquilo não preciso entregar, pois certo está; é brega demais! Também estou fechada a qualquer ideia de livros, publicações ou coisas do tipo, ainda que sejam chamativos… É certo, ainda, que não converso mais com poetas e poetisas, antes que me ludibriem com suas “palavras pomposas”. E, finalmente, evito também as curtidas, já que uma  galera atrevida,  transforma lágrimas escorridas em fotos coloridas.

Acabou! E por mais que me trema a mão, não caio mais nessa tentação! Acho que só assim, evitarei os sofrimentos maiores. Pois já não me cabe mais… Tamanho desgosto em não encontrar conforto nos meus próprios versos…

Por fim, se mais alguém perguntar, digam que não escrevo mais poeminhas…! Apesar de acordar todo dia com ar entrando pelas narinas…

Rio Claro, 27 de julho de 2016.
Andréia Maressa da Silva
Para minha amiga, poeta e aniversariante; Fabiana C. Ventura.

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4 comentários sobre “Cansei de ser poeta! 

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