o homem que regava as plantas

era muito ocupado. andava sempre preocupado. sisudo, com as costas bico torto – bicho esquisito, bicho no mato – matou

o homem que regava as plantas, 
não lembrava de esquecer as coisas que o cercavam; contas a pagar, coisas pra arrumar, roupas pra lavar, filhos pra alimentar, amores pra recordar e esquecer… tanta coisa. era tanto, tanto; que dava tédio. desgaste. disenteria emocional.  

o homem que regava as plantas,
estava irritado. agora a tensão aumentava. mais baldes trazia, mais baldes enchia, alguém passava e – bom dia! – já voltava a encharcar. nem dava bola pra mocinha, que toda hora vinha lhe cutucar; – está quente, hã? sim– e voltava a regar.

o homem que regava as plantas,
tinha muita dúvida no que poderia acontecer… O país estava no abandono, os jornais só traziam notícias ruins, e, pra piorar, não sabia se a vida era um começo ou um fim.

o homem que regava as plantas…
nutria a terra com a água d
e torneira, mas não sabia até que ponto a vida era apenas passageira…viu a árvore que nasceu viveu dez anos, mesmo com todo cuidado de quem ama, virar terra, adubo, depois grama. 

o homem que regava as plantas esperava que inverno de sua vida passasse logo, pra ser… -verão.

Rio Claro, dezembro de 2016.
Andréia Maressa da Silva
Para Max Laporta

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