O que é que eu fiz?
Por um só instante me descuido
E logo penso em ti
Quisera eu, refletir
sobre política,
mercadorias,
a alta,
a baixa,
o dólar…
a Economia!
Entender a literatura
de Shakespeare,
do frio Fiódor,
dos meigos Andrades…
Queria a poesia,
a rima concreta,
as melodias,
a inteligência,
as prudências
de toda a sabedoria!
Quem sabe um mundo…
Mudo, calado,
porém, sábio;
como um monge.
Sem muita procrastinação,
opiniões e falácias;
falsas.
Queria de um tudo
da filosofia,
um MIX das etologias,
um punhado
de fantasia,
mitologia,
astrologia,
física quântica…!,
E, deus, por que não
aritmética?
Da química,
só as alquimias…
Não me parece
boa razão
saber fazer
bombas de destruição.
Já não me cabe,
tamanha emoção.
O que faria eu
com mais explosões?
Quero de volta o silêncio!
das brumas leves
que arrancam a areia do chão.
Retorcem-na
Colocam de volta na contra-mão.
Sou um grão de areia.
Finitude das coisas
mais pequenas.
Mas choro,
palpito-me,
recito-me,
excito-me.
Sobretudo, existo,
e não resisto a convulsão
de te amar.
Sobre ti
fiz os versos mais belos,
textos sinceros,
sobre mim,
revirei o avesso,
descobri terríveis tormentos.
Sobre nós
há um mundo.
Jorra uma vastidão
Eu? Sou apenas um grão…
E tens receio?
Diga-me! Como
tem medo de dominação?
Falas em liberdade,
des-mente as posses,
e, dos romantismos;
sobra-lhe apenas o amor,
a pulsação. 
Não crês que flui? 
Frustativa tentação
seria “roubar” seu coração.
Tenho sensação, apenas, 
que de ti, nada tenho…
Nem ao menos
aquele  fio de cabelo
Que repousava branco
sobre meu suéter preto. 
Era seu, 
aquele fio, 
é todinho seu! 
E ainda que estivesse sobre mim…
-Ai, senhor meu!
Não sabes que
nem o mais forte vento 
é capaz de carregar, 
por mais força que o faça, 
alma e desejo seu? 
Se disso não sabe, 
pudera eu! –
Que não sou livre, 
nem tenho a alma pura..
Carrego no peito, ainda, 
muitas injúrias. –
Então me digas!
O que seria de mim,
pobre criatura, 
que ainda anseia
ser
mesmo com pouca estatura
algo ou alguém
cujo o mundo
me possa caber?
Eu te amo, 
como amo o mundo,
e isso é só. 
Andréia Maressa
Rio Claro, 16 de Agosto de 2016.
Para Max Laporta
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