Esse texto não diz de alguém específico, tão pouco que uma mesma pessoa pratique todas as coisas aqui escritas. Esse texto antigo, é uma representação simbólica da disparidade entre discurso e prática da vida universitária de elite. 
Na primeira publicação, esse texto ganhou muita força de debate. Espero que continue a contribuir em reflexão. Boa leitura!


[Não leia se você faz parte da elite intelectual]
Estão em todas as festas, bebedeiras, orgias e putarias. Acreditam ser essa a melhor forma de viver e zombam daqueles que não a apreciam. Têm sempre algo pra falar de alguém. Aliás, em suas conversas, estão sempre falando de alguém. Nunca, nada está bom. Nada é apreciável. Exceto aquilo que está em dentro do contexto do não-real (um dia me explico melhor).
Quando se juntam pra criticar a sociedade, esquecem-se que fazem parte dela. E isso é o que mais me incomoda. Estão sempre pensando nos pobres, mas nunca no que sustenta a pobreza deles. Estão sempre reclamando da educação, mas sempre faltam as aulas, porque estão de ressaca. Estão sempre reclamando dos assaltos, mas estão sempre nas bocas alimentando seus vícios. Reclamam da desigualdade de gêneros, mas continuam sustentando ideais machistas nas festas que frequentam. Reclamam da desigualdade racial, mas têm medo de negros andando a noite pelas ruas. Participam de projetos sociais, mas sabe deus a vontade que têm mesmo de ajudar. Criticam os deuses, mas nem sabem se eles existem mesmo. Iludem-se e choram das séries de TV, mas riem da vida real; pois não estão sóbrios pra perceber a gravidade de nossa situação.
Me pergunto todos os dias: sabem mesmo se divertir, sabem mesmo viver? Devo ouvir seus conselhos de bêbados? Não reconhecem que é na simplicidade das coisas que está o belo, o divertido, a vida em si. Só reconhecem as falhas dos outros, e pra isso precisam sempre de público; para exaltar suas qualidades e reduzir à fracasso aquilo que não lhes convêm e vem de outros. Sempre estão falando do que fazem. Sempre estão fugindo de suas falhas. E assim constroem um mundo melhor.
Eu ainda não entendo porque me incomodo tanto. Afinal cada um vive a sua vida como quiser… Mas segue a minha reflexão. Meu desabafo sem nexo e bucólico. Continuo a viver minha vida.
Rio Claro, 31 de agosto de 2014.
Andréia Maressa
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3 comentários sobre “Eles estão bêbados

  1. Entendo que existam pessoas assim, mas elas não precisam ser necessariamente universitárias……….e me arrisco a dizer que a grande maioria dos universitários não são………o que vejo é o velho julgamento da maioria pelos atos da minoria……………..e a escritora do artigo, Andréia Maressa, comete o mesmo equívoco que ela tanto crítica quando tenta impor sua ideia de felicidade oposta as ideias que ela discorda……….”Não reconhecem que é na simplicidade das coisas que está o belo, o divertido, a vida em si.”………nao acho que ser é “estar feliz em todas as festas, bebedeiras, orgias e putarias”, nem que é na “simplicidade das coisas que está o belo, o divertido, a vida em si.”…………não é porque A não é legal que seu proporcional inverso B é………….no fim, o texto coloca os adeptos a seus conceitos na mesma prateleira dos adeptos dos conceitos criticados…………….

    Curtido por 1 pessoa

  2. Minha amiga Andréia, confesso que conheço pessoas de todas as classes e de todos os gostos, como há os que se drogam e não permitem que nós que não nos drogamos venhamos a experimentar, como há os que adoram uma putaria, mas não nos instigam que venhamos a praticar, enfim para encurtarmos esse pensamento, entendo que estaríamos a falar de personalidades.
    Acredite Andréia, conheci uma da pessoas mais perigosas do Brasil, um traficante famoso que não permitia nem que seus filhos dessem uma de malandro, como não permitia que fizessem uso de droga ou prostituísse as meninas da favela. Fez com que estudassem e se formassem em pessoas do bem, quem vai julgar?
    Uns diriam com dinheiro do crime é fácil, mas seria melhor se permitisse a herança criminosa?
    Difícil né de acreditar, sei disso, mas é a vida e é real.
    Partamos do princípio da falta de caráter o que faz com que um estudante de direito dê calote?
    O que faz de um estudante de medicina, estupre sua colega de classe?
    O que faz de um policial ser corrupto, assassino e bandido?
    O que faz de um politico valer-se de sua autoridade para benefício próprio, traindo todos aqueles que depositaram nele o direito de representá-los?
    O que faz de um Juiz ser canalha ao ponto de julgar e ficar usufruindo dos bens do réu?
    O que há em comum entre todos eles?
    E o que há em comum entre todos nós?
    Somos humanos, somos tiranos, covardes, canalhas, malditos, mas também benfeitores, honestos, sinceros enfim…
    Não é “esse” ou “aquele” e sim o que escolhemos para nosso destino.
    Em nossa vida devemos entender que a semeadura é livre, mas a colheita será sempre obrigatória.
    Beijão! <3

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