Esse sentimento,  que eu carrego no peito; do silêncio ao tormento, do anseio à busca infinita pela beleza da vida… Ah!!! Isso deve ser-lhe dito de alguma forma! Seus olhos precisam ver como eu vejo, sua pele arrepiar como meu pelo, sua boca se abrir como a minha, que come e respira essa sensação…  Engulo e como comida que é bem digesta, sinto o paladar da vida. Você precisa sentir isso também! Esforço-me com músicas, beijos, abraços,  palavras, olhares, gestos, desenhos, poemas, e me desencontro… Caio no mesmo dilema; de que não lhe chega essa grandeza. Você pode sentir? Diga-me! Você não sente também?!  

Que é o partir que me faz feliz! E não que eu entregue a ti… Apenas saber que vai além de mim, outro também pode ouvir… Não apenas as palavras que digo e escrevo. Mas o som do vento, em silêncio, que entra pelo meu nariz, passa pelo meu pulmão e sai pela boca…Arfo a vida! Na dança imóvel, parada no tempo, quero que seja o meu par, num rufar de tambores –  dois ritmados corações – fechados num abraço apertado, e claro, muito bem afinado.

Me responda; você sabe quais são os passos? Desse ritmo que não ensaiamos, mas vem essa tal vida, cá nos ensinando? Acho que fazemos tão bem juntos, essa coisa de viver…Mas será que me engano? É sozinha que lhe apresento o  triste espetáculo; de viver e em breve saber que ei de morrer? E você? Já não sente essa onda salivar que te engole num beijo quente e tácito que a vida dá? Não sou eu… Apenas compartilho algo que também é teu! 

Mas, não posso saber. Morrerei sem saber se sentiu. E a cada curto circuito dessas sinapses, prevejo uma explosão; ouço o choro daquela velha criança temendo essa aflita pulsão.  Pulsão neuronal. Gritando ansiosa pela vida… Ou temendo a gravidade de ter ela por vencida?
Não me chame egoísta ou prepotente, que quero lhe ver também, assim, contente e por que não às vezes descrente? A lua pode não crescer, nunca mais! E o que seria de nós?! O que seria do nosso ritual? Esse de abrir e fechar os olhos? Acho que você também deveria saber… Mas já não tenho mais formas de lhe dizer; o que é viver. E como é que haveria você de saber?
Me perdoe.


Andréia Maressa

Rio Claro, 20 de abril de 2016.
Para Max.
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