Desceu as escadas apressado, atravessando o bolo de gentes. Segunda-feira,  próximo das 18 horas, um terminal de trem na região metropolitana de São Paulo. Mais um dia quente no Janeiro brasileiro.

Seguia com uma camisa azul royal; de poliéster e algodão, bem longe do corrimão. A manga era sobremaneira comprida! E apesar do bastão guia, a camisa era o que mais atraía minha atenção; na agonia do calor, caminhava um homem completamente esquentado.

Era só mais um na correnteza doentia da pressa esquecida. Caminhavam e esbarravam-se os andantes. E ele…Muito bravo, ia se aquecendo a cada corpo que lhe roçava. Já não mais se aguentava…!

Foi finalmente quando uma moça reparou, e polida, o alertou:

– Perdão,  moço eu não vi que você…
– Nem eu.  – Completou, rispidamente, o homem cego da camisa azul.


Andréia Maressa

Santo André, 01 de Fevereiro de 2016.

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