Não é qualquer. É “A Mesa” onde repousam muitas vezes os vazios. É “A Mesa” que fica na cozinha, que é ao mesmo tempo sala e quarto. É “A Mesa” que muitas vezes passa roupa, deixa ferro cair, quebra uma perna, que intera  com outro teco aí, que passa a vizinha, passa o vizinho, a cumadre, o cumpadre, vem padre, vem benzedera, vem mamadeira e fralda suja, vem problemas, muitas contas, umas pontas; de cigarro, uma lata de óleo usado e o tal do chuveiro queimado…
É “A Mesa” que talvez nunca recebeu uma vela, ou uma garrafa chique de vinho. É “A Mesa” que não tem porcelana, e, além de tudo, confunde vidro com cristal e prástico com acrílico. É a mesa que se agradece antes de comer, porque deus nunca deixa faltar!. Mas quando falta a gente improvisa, com isso não se intriga. E, Não! Fica! Come alguma coisa! Eu passo um café rapidinho, tu come um pãozinho, vê-lá que magrinho!, olha só como tá gordinho; que delícia!, não faz desfeita! 
Quem diria que essa mesa, um simples móvel, poderia suportar tanto…? Ainda há mais!!! Ela também tem um outro poder… Só “A Mesa” do pobre consegue ser farta na falta de alimento. Ainda mais na vinda de uma visita. Dizem que dizem de botar água no feijão, mas quem vai fazer caber todo mundo na mesa é a própria; “A Mesa”, porque só nela coube tudo e todos. Tanto até, aquela couve, que de última hora resolveram inventar pra inteirar. Ninguém precisa falar ou pedir!, entre esse povo todo, cumadre, cumpadre, tio e tia, meninos e meninas, não precisa de muita história, não tem essa de jantei e comi agora; – mentir é feio! É só ir lá e colocar, depois de rezar todo mundo pode pegar. 
Eu não tô com fome é problema grave, porque fome a gente sempre tem. Ainda bem que “A Mesa” do pobre sabe disso!
-Não!, que é isso!, cinco minutinhos e tá pronto! Ajeito aqui  e você come!
Só quem é, já é, e vai entender o que significa; 
-pera aí que eu vou passar um café!,
e quando vê, tal qual jesus, “A Mesa” multiplica 5 pães e 200 gramas de mortadela.

Andréia Maressa
Rio Claro, 2016.
Para Fabiana C. Ventura. 

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2 comentários sobre “a MESA farta do pobre

  1. Lindo isso! Remeteu-me a uma música poema que também tem tudo a ver com a fome e com o jeitinho de nós brasileiros, sim, lembrei-me de Refazenda de Gil. Uma boa Páscoa a você e que a mesa de todos nós possa unir em sua volta em oração para dias melhores que certamente virão. Beijos no coração! <3 :)

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