meu matinho

deixar o cabelo crescer, 
é como cultivar aquilo;
que não se pode negar. 
aquele matinho, 
que nasce no cantinho?
então.
é comida de passarinho! 
e todo mundo corta. 
acha feio. 
e planta coqueiro, 
jasmineiro, 
dama-da-noite…
e outro tanto monte. 
mas ele já tava lá. 
e, acredite,
é, sim, o seu lugar.
ninguém dá chance
pro pobrezinho…
é como falam
“ai… !mais que fein!”
“ce vai deixar assim? “
“não vai cuidar do seu…
jardim?”
“poda isso aí!”
aí, diga você! – 
parece estranho,
mas é assim:
você usa um pente finin
e deixa ele bem esticadin 
afofa bem,
e não esquece de falar
meu bem…!
e você vai ver…
ele cresce aquém!
vem passarinho,
vem formiguinha 
…vem cobrinha…
e vupt!
ah…perigosa…
cuidado! 
não deixa ele jogado..!
porque é SEU jardim! 
e não é pra vir assim, 
falar que “é mato, 
mas bom capim”.
bom, bom mesmo,
é ser quem você é, 
e não precisar 
de vir alguém  falar,
que cabelo deve usar. 
oras!,
jardim não precisa ser 
europeu, 
aqui a gente planta
bracatinga, 
cabeludinha, 
capororoca,
coração de negro
e, claro,
o pau- brasil. 
mato é mato, 
mas não é ‘qualquer’
‘mato’.
Respeita! 
esse aqui é meu espaço! 
rego ele com amor, 
e colho com fervor, 
os resultados de 
todo esse  meu esplendor!
Aguenta quieta, invejosa!
Viva o cabelo black!
e… vê se esquece,
esse seu desconcerto 
ao lembrar,
o que um dia
já te fizeram passar…
Esse aqui, é  o nosso lugar. 
e, sim, a gente vai ficar!

cabelo

Andréia Maressa 
Rio Claro, 14 de fevereiro de 2016. 
Para Letícia Ventura, Erika Fernanda e Luciellen Assis. 
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8 comentários sobre “meu matinho

  1. Gosto de quem não tem medo de cobras e você é daquelas, mata a cobra e mostra o pau, rsss. O meu já foi de diversas formas, lisinho e fininho que voava ao vento me tapando a visão, na juventude já rebelde ele foi se mostrando como deveria ser, rebelde não aceitava pente, então eu dava uma pequena molhadinha com os dedos e refofava como se a terra adubava. tempos depois até sem eles fiquei, renasci Kambami e para manter bem assentado o Eketé o deixo bem baixinho até mesmo para evitar os passarinhos. Beijos! ;)

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      1. Se eu vi? Bom é o nome que damos ao “chapeuzinho” ou “gordinho” como queiram para cobrir nossa cabecinha, rsss, por que você conhece como algo diferente? Se sim é normal, as grafias se confundem em diversos idiomas, vide meu nome KAMBAMI, que para o amigo Kudza lá da Jamaica é o significado de irmão. Mais é tudo lindo assim mesmo e por falar nisso, só não fui a fundo pois parece paixão, rss, mas fica esse beijo gostoso daqui desse seu irmão. ;)

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