Pão de queijo

Não contém glúten.
Contém QUEIJO.

2015 me deixou uma dúvida. Aliás, várias. Mas essa sobressai sobre todas as outras. Por que sempre o pão de queijo tem que ter o mesmo tamanho? 
As bolinhas de polvilho, queijo e ovo são conhecidas como pão de queijo. E são Brasileiras, de Minas Gerais, aliás, há quem diga que veio de outro lugar… Como sou brasileira, e nunca saí do país pra descobrir, então, não tem como discutir – E não vou pesquisar pra escrever sobre o elas aqui.
Olha, isso que estou maressando, acontece em outras práticas culturais nossas, sim nossas!
Já enrolou essas delícias pra assar? Não?! E brigadeiro? – Já. Tenho certeza que já… Ou já viu como faz pelo menos… – Se não está se lembrando, comece a reparar. 
Ninguém quer deixar as bolinhas diferentes. 
“olha aí você tá deixando muito grande”
“aí que feio não parece uma bolinha”
“quem vai querer comer um troço desses”
“aff, ficou muito pequeno – Você não sabe enrolar não?”
E pra assar? Na forma, uma baita e quadriforme forma, dão espaço para um enfileiramento proposital e muito bem ordenado por alguém (mãe, avó, dono/a da festa, cozinheira e por aí vai…)
“tá tudo torto isso aí”
“vai grudar um no outro”
“coloca os pequenininhos nesse canto aqui!”
Que saco!
Eu cansei! Cansei! Por que não podem ser uns mais cheiinhos e outros magricelos… Uns mais queimadinhos e outros meio crus? …. Redondos? Devem ser mesmo redondos? Como se no interior de Minas Gerais, não tivesse de tudo que é forma e jeito – Inclusive, me chamou atenção, numa viagem, um que tinha formato de ferradura.
Tá. É uma analogia complexa cheia de variáveis que podem destruir minha teoria…Só que isso aqui é só um pensamento.
Foi difícil hoje; quanto forçamos a barra para que todos os pão de queijo, da mesma fornada saiam parecidos, e se forem servidos, os “diferentes ficam de fora”. Assim também é nas nossas escolas, nas nossas casas, nos nossos trabalhos e na nossa… (Eu sei que você já cansou de ler essa palavra, mas…) Na nossa sociedade – Pronto, falei. 
Já reparou que mesmo enrolando certinho, eles não ficam idênticos quando saem do forno?! – Pensa nisso. 
Foi em 2015, que eu apertei a maioria das minhas vivências até descravar em dúvidas sultuosas… Daquelas que precisam de um grupo de Hamelets pra filosofar bastante e chegar numa resposta. Elas me seguem! E com frequência fujo delas.  Porém, agora em 2016, preparando pão de queijo pro café da tarde, parei pra pensar um pouco nas caraminholas. 
A vida inteira, sempre, alguém me disse como eu deveria ser. E como todos deveriam ser. 
Eu ia tentando, tentando, tentando… Até que fui me cansando. Fui fazendo o que eu bem entendia. Inevitável não ouvir:
“ai…doidinha essa Deia, né?”
“que diferente seu cabelo…”
“Meu, você é louca!”
“Deia, para com isso, tá todo mundo olhando!”
“Aff, só você mesmo…”
“você é uma negra tão linda. não tem manchas na pele como a maioria das meninas que vejo” – agora tenho um monte, querida. 
“poxa! como você consegue?”
Conseguindo. Eu sou eu. Ponto. Eu sou diferente mesmo. E você é diferente de mim. É necessário que fiquemos em potes separados por isso? Ou em fileiras diferentes na fornada? Porquê? 
Somos tudo pão de queijo. Ou brigadeiros –  como preferir –  No entanto, nem por isso, somos iguais. Cada um tem a sua forma e forma (leia um com acento e outro sem). E se não é a que você se identifica, não precisa jogar fora – Vai jogar ele fora mesmo? Você não faria isso com o brigadeiro. Eu sei que não! – Alguém vai querer comer, e quiçá, por que não você?
Viva a variedade! Dê outras oportunidades! De formas, cores e sabores…  
Deixa ele crescer do jeito que bem entender… 
Deixa estar, e vê se para de criticar!
Deixa de bobeira, e vem cá! Vamos comer um pão de queijo
e conversar.

 
Andréia Maressa
Rio Claro, Janeiro, 2015.
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3 comentários sobre “Pão de queijo

  1. Compreendo o teu sofrimento, as minhas últimas lembranças com o pão de queijo, desastre total.
    Gosto da tua mente livre, andam poucas pessoas como tu neste mundo.
    Bom trabalho no blog.

    Hasta & Peace

    Kudza

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