Noite na estrada

Olhos fixos. Luz dá farol…
Dá vida às faixas brancas,
marcadas na pista.
Estão amarelas, laranjas,
mas acima de tudo brancas.

Do outro lado da estrada
vem em nossa direção,  
dois pontos amarelos,
distantes, mas em união.  
E às vezes, quando passa um caminhão
vem outras luzes em dispersão.
 Pelo teto e assoalho do “contêiner”.

Escura e fria.
A grande parte do tempo vazia.
Eu acordada no meio ao nada.
Olhos fixos… Queria dormir,
mas acompanho o motorista à seguir.

Ouço o ressoar dos pulmões,
sôfregos e cansados.
Sofreram já uns maus bocados…
Não perdem tempo:
Meus companheiros estão à dormir.
Faz silêncio no carro,
faz será que lá fora?
Dentro e fora,
onde estamos afinal?

É, cada ponto que segue,
deixa-me entregue
à essa imensidão.
Onde é que vamos parar?
E porque é que tem que parar?

“Que cidade é essa aqui?”,
um deles acorda.
“Não importa, já estamos aqui,
e precisamos partir, pra outro lugar…”,
penso eu, mas, já, de pronto,
o motorista responde;
“estamos na estrada”.

DSCN3069.JPG

 

para Sérgio e Diva.
Estrada dos Bandeirantes , 19 de dezembro de 2015.

 

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