Tim Maia, gostava tanto de você

aquele momento que você se acha imbecil… quem nunca passou por isso, não é mesmo? não é culpa sua, começemos por aí. a vida é a grande culpada. e nós temos que saber da culpa dela.

fa
pra mim que sou menina de nascença e trouxa de aparência, fica mais fácil entender, como deixo algumas coisas acontecer.

aconteceu que, não faz muito tempo, passei a gostar de um amigo. situação fácil de compreender, já que os laços tendem mesmo a se estreitar.

espero que ele não esteja lendo o texto.

àas vezes a gente se deixa levar, sem saber aonde tudo vai dar.

fomos escrevendo cartas um pro outro, palavras bonitas, enfim… cheguei até chorar. emoção sem fim; achei um príncipe pra mim! coisas lindas, pura poesia. até chegamos a nos questionar o porquê, coisa que não foi adiante. a gente tava mesmo é se enganando.

no final, eu tava curtindo o cara e ele a carta.

mas, como nem toda linda história de amor tem um final feliz, acabou que eu devolvi todas as cartas que li e recebi.

não é trágico também, vai… continuamos a amizade, numa forma de bondade. ele com aquele sentimento traído e eu com aquele paquera caído. ele queria a amizade e eu queria…bem, que sacanagem!!!

terminamos tudo com um tapinha nas costas, aquela frase “vai passar”, que é de matar, resume a nossa conversa final.

é, não é que passou? rolou.

águas passadas não movem moinhos, mas movem tontinhos, como eu.

a água que rolou pra calçada, empurrou uma sujeira que não ia pra beira, de jeito nenhum! tive que abrir o portão.

mas a vida te obriga a fazer papel de trouxa, e quando abri o portão, na maior cantação:

“e eu, parapapá… gostava tanto de você…parapapaá…”

me deparei com o tal do amigo, com o carro parado na casa ao lado… o que ele tava fazendo ali? o que a vizinha (que sabia da história) tava fazendo ali também?  o que eu tô fazendo aqui; parada, olhando? continuei esfregando o beiral. deus do céu. será que eles escutaram? e o que pensaram?

 

que chato.

 

tim maia é o cara, não dá pra cantar baixinho… e esfregar o chão com empolgação, foi fundamental para contextualizar aquela entonação para os meus vizinhos e vizinhas. acho que ninguém me viu, nem ouviu. e se viu… bem, acontece.  

a gente não escolhe, mas se desse pra escolher, teria escolhido outra situação pra ver enquanto lavava e cantava. e se nos filmes a gente escolhe a trilha sonora, porque que é que na vida a gente não escolhe também? eu gostava mesmo dele. só que agora não gosto mais. vem cá! não dá pra rebobinar a fita?

a gente não pede pra ver, mas a vida te obriga, pode crer.  

 

Andréia Maressa
Rio Claro, agosto de 2015. 

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