MOVIMENTO

Movimento palavra que tira de um lugar e põe em outro. Tira e coloca, por vezes, recoloca. Vai e volta, mas ela mesma nunca saiu do lugar.
Parada em uma praça observo o movimento alheio a mim. Alguém teve a mesma ideia que eu, me movimento. Parada, me movimento aos olhos do observador. Olhou, então, o garoto que eu observava para o meu observador. E agora?! Fomos pegos! Todos estávamos parados. Mas o guarita viu tudo o que aconteceu e não se surpreendeu, acendeu um cigarro e olhou ao redor. Vi tudo isso! E também observava o guarita, quando o mesmo trocou olhares com a moça que vinha cruzando a rua. Ficou assim então, uma grande complicação!
Felizmente um casal de idosos, que botaram na calçada, as cadeiras de casa, observaram tudo que ocorreu e poderão contar melhor tudo depois… Tudo o quê?! O movimento ora! O movimento da rua… Dizia o casal ao colocar as cadeiras pra fora, presumindo que iriam ficar parados na frente de casa vendo a vida passar.
Não pensava assim o vizinho do prédio ao lado, morador do 14º andar, que vinha observando também as cutucadas trocadas entre os dois velhinhos, todos os dias. Chamava-o de movimento repetitivo, aquele ir e vir das cadeiras. Irritava-se e xingava-os lá do alto, sorte que eles já não ouviam tão bem…
Não tenho dúvidas, porém, de que quem se irritava mais era vizinha do vizinho do prédio ao lado, que apesar de cega, sabia exatamente aonde ele ia. Com um copo na mão, se aproximava da parede, donde podia ouvir, passo a passo aonde ia o infeliz. Mas, que depois de ouvir a janela abrir, preferiu não ter mais o copo em mãos, claro, não ouvia palavrão! Eu a vi pela janela… Será que ela percebeu? Talvez nem ela nem eu! Não percebemos que nos momentos em que menos esperamos,  alguém está nos observando. Não é possível saber de nosso movimento se não há um expectador!
Assim como Eisten observou que o tempo não era absoluto, mas algo que dependia do movimento de um observador no espaço, e que o espaço não era absoluto, mas dependia do movimento do observador no tempo, hoje sabemos que nossas vidas não são absolutas, mas dependem do movimento do observador nas praças.
Movimento é o que faz de certa forma acontecer aquilo que chamamos vida. Nenhuma cena é digna de ser assistida se não tiver o tal movimento, aliás, o que seria uma cena sem movimento? Mesmo que parado?
Parece até que se fizermos um montão de coisas e ninguém ver… Ninguém vai notar a nossa existência… Pode ser então que sejamos nossos próprios observadores. Bom ou mau, seja lá o que for, o movimento tem que ser observado por um observador em movimento! Em suma, há vida onde há vida!

1235367_620301941326567_1039919450_nà Clemencia.
Andréia Maressa
Movimentando-me para o próximo ano.

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