Prescrever

Estava enlouquecendo, seus cabelos e seus olhos diziam assim. marejados procuravam em alguma direção algo que lhe trouxesse respostas sem nem mesmo saber quais eram as perguntas. A respiração acelerada trazia á tona as lágrimas.

Tinha o amor de todos os homens, um belo corpo, tinha comida e dinheiro que bastasse. Mas não lhe bastava. Hesitava sentir dor e julgava-se tola.

Alguns fios brancos despontavam em seu cabelo, que todos diziam ser de família, mas ela sabia, sim ela sabia, que eram suas dores transferidas para o branco.

As páginas brancas  em sua frente  não tinham com o que ser preenchidas. Não havia dor, não havia amor,  não haviam histórias boas e nem tão pouco ruins para que pudessem ser escritas. Apenas o desespero lhe cegava e impedia a escrita.

Tola! Encontrava-se sempre menor que os outros. Mas do que mais precisava? O que mais desejava para não se sentir assim?

Era tudo culpa sua…Até o barulho da mulher entrando da rua noutra casa. Estava bêbada – Pra que beber assim? – Não tinha nada além de si.

Andando pela casa se arrastava  e ao ouvir chiado do chinelo, sentia um desprazer, já não se vestia como antes. E agora vivia tentando escrever seu sofrimento barato. Mas nunca escrevera antes, pois as letras sempre lhe confundiram.

Onde estão todos? – Então marcou vários encontros, com conhecidos e desconhecidos. Esqueceria suas loucuras. Mas ninguém foi, ninguém veio. Culpa sua ter se  posto assim; vulnerável –  Culpa minha! Desesperada foi até a porta e gritou, mas não pode ser escutada por ninguém. E antes que alguém notasse, entrou de volta. Antes que sua loucura a tomasse, escreveu tudo aquilo mais que não podia falar. Triste amassou a folha, pois ninguém entenderia sua letra. Não sabia se tinha ‘escrevido’ certo.

Acendeu um cigarro. Mesmo que não fumasse, acendeu-o. Estava louca e precisava de compreensão, mesmo que fosse de um cigarro. Um vento gelado bateu, e arrepiou a suas costas. Janela fechada, insistiu o arrepiu. Refugiou-se nas cobertas, essa noite dormiria sozinha. O cobertor tornou-se seu refúgio. Ali se satisfez e dormiu.

Então se achou; se encontrou. E quando acordou, embriagada, ainda sonhava. Fingiu que tudo era verdade. Tinha tudo, tinha nada e sonhava.

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Andréia Maressa da Silva
Rio Claro, 03 de agosto de 2014. 
Editado em 04 de setembro de 2014. 

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