Silvio (parte 2)

Hora do almoço.
Cruzou a rua atordoado e lhe gritaram: “Olha por onde anda vovô!”. Silvio não era avô. Silvio nunca teve filhos. Silvio nunca foi casado. Silvio nunca teve ninguém. Silvio era só. Silvio estava sozinho atravessando a rua. 

– Boa tarde! O que o senhor deseja? – sorriu. 
– O de sempre – E sorriu de volta.
Sentou-se a mesa sentindo-se só. Salada, suco, sopa, silêncio. Estava só. Silvio comia enquanto lia e por vezes errava a colherada que devia ir a boca, isto o incomodava. Levantou-se e devolveu o prato. Olhou para a moça do caixa e sorriu. Ela sorriu de volta.

 
Silvio queria beber, mas não podia; hoje era seu último dia no trabalho. “Último dia” – Pensou em voz alta. E calou-se rapidamente antes que alguém o ouvisse. Sentia-se um velho inútil. De volta ao trabalho. Entrou e não viu ninguém e ninguém o viu. Sentou-se a mesa, fez seu serviço e foi embora sem se despedir.
 
Silvio voltou para casa com a garganta seca. Abriu a porta e cumprimentou aos bichos. Sem palavras; acariciou-os apenas, para que em suas mãos depositassem suas carências. Silvio foi até a garrafa e não bebeu. Subitamente deu meia volta e saiu de casa. Apressado e determinado, tropeçava mais do que quando bêbado.

Chegou ao restaurante.

 

Continua amanhã… 

 

quebra cabeça

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