Tenho certeza que muita gente por aí, está requebrando os quadris entre quatro paredes onde ninguém mais possa ver. Às vezes me solto, às vezes não. A censura do olhar do outro atrapalha por vezes, e isso deve ser considerado; você pode estar dançando sem vontade de dançar.Cada um deveria ficar mexido da maneira que sentisse. Uns ficam tão mexidos que ficam até parados. Mas o mais importante é que em ambos os casos se sintam à vontade.

                                    Um dançar sem parar.
                                    Um requebrar ao som do tilintar.
                                    A música boa é aquela que te faz requebrar,
                                    entra pelos ouvidos e sai pelo corpo todo.

 

Posso ser egoísta com isso agora que vou dizer, mas as danças a dois ou em grupos, por vezes, acabam com a sintonia entre o indivíduo e a música. Explico o porquê. Esse último evento (festa) que participei, onde havia música alta, salão com espaço para dança e bebida pra guardar a vergonha, me tiraram três homens para dançar. Hoje me questiono se porque sou uma mulher jovem, se porque sou bonita, se porque os três simplesmente queriam dançar, se porque eu tenho cara de quem dança qualquer coisa, ou se há algum motivo estranho, por mim desconhecido que eu não tenha levado em conta.

 

Podem não ter feito sentido minhas divagações, porém, quero deixar claro que tudo isto que pensei; pois seguido a cada convite para uma dança deixei claro que eu não sabia dançar assim: a dois. A música sai assim que entra, e aquele dia não havia entrado. Não fui culpabilizada, mas nenhum dos três dançou comigo uma música completa. Talvez tenham se decepcionado achando que me conduziriam numa dança harmônica. Coitados! Pelo menos acharam, os três, uma outra mulher que estava apta à dança a dois, ou só a isso.    

 

Senti cruelmente diminuída minha auto-estima. Pensei – Eu não sei dançar “como deveria, uma bela mulher, portanto não sou uma bela mulher como pensava”. – Pensei, errado sei. Senti-me como a Terezinha de Jesus, ou qualquer outra coitada que nada sabe além dos deveres do lar, nada sabe sobre ser mulher completa (aquela que além de tudo ainda sabe dançar). Eu deveria me programar para uma dança?

“Dois pra lá, dois pra cá”, “Segura no ombro”, “Solta o quadril agora”, “Isso! Agora você conseguiu, tá vendo?!” Não é agradável ouvir isso. E me desculpem os dançarinos profissionais e os amadores (copiadores de coreografias), mas dançar pra mim é liberdade! Sem estética, sem técnicas, sem alongamento, sem roupa (ou com roupa) e principalmente sem olhos e olhares. Arte pela arte. O dançar,                                                                                                                                        o se soltar,

                                                         o balançar,

o gingar,

                                                                         o  brincar                                                                                           e amar.

 

Faz um tempo, dancei com um homem e deu certo. Aliás, nós dançamos. Foi bonito o que aconteceu e a isto atribuo, ainda, muita naturalidade. Enquanto ouvíamos o som, deixávamos, ambos, nosso corpo se soltar, se desprender de si mesmo e ir de encontro um ao outro sem nem mesmo nos conhecermos. Nomes eram dispensáveis, apresentações dispendiam muito tempo, ainda mais combinar passos de dança. Eram movimentos desprovidos de sentido e objetivo. Algumas coisas como a arte, fornecem um ponto de tranqüilidade e nos permitem desprender de certos ciclos infinitos. Nada muito programado. É só uma questão de Vontade. A música e a dança são e deveriam ser ótimas formas para se compreender isto.

 

Quando isto for entendido todos dançarão livremente onde, quando e com quem quiserem. Não será necessário que se esconda o movimento espontâneo do corpo entre quatro paredes e não haverá mais nenhum constrangimento como este de dizer: Você não sabe dançar.

 

 

dançando

 

 

Rio Claro, 04 de Julho de 2014.

Andréia Maressa da Silva

 

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