Deixe-me ir preciso me encontrar

“Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar”

Estas são palavras de Cartola, um grande cantor da música brasileira. Cartola, até onde li sobre, sofreu muitas decepções na vida.

Morreu sem o devido reconhecimento, e isto foi causado principalmente pelas relações que deram errado. Sua ex-mulher que tanto amava, amava outro e o largou. Seus produtores venderam suas músicas para outros cantores que fizeram sucesso as suas custas.

Em meio a tantas crises emocionais, viu-se cercado da necessidade de se encontrar. Um tempo para pensar. Assim possivelmente melhoraria as relações com os demais, não seria ingênuo e saberia bem o que faz ou não bem para ele.

Encontro-me agora na mesma situação. Sai de casa em busca de respostas sobre mim mesma. Mas tudo começou com os questionamentos sobre os outros. Perguntas e julgamentos que não sei o veredito final. É como se para cada atitude de outras pessoas que me fazem mal,  eu tenha que julgá-las. Mas como farei isso? Ultimamente sinto-me incapaz de fazê-lo.

Chego a odiar aqueles que de alguma forma me feriram sem nem mesmo ter uma concretude do que realmente aconteceu. Mas como fizeram isso? Porquê? Isso me afeta tanto e não sei explicar. Todos sabem menos eu. Meu ódio e repúdio muitas vezes nem para mim tem sentido. Quem está perdido? Eu ou eles? Sinto a necessidade de ter raiva apenas porque me dói e nada mais.

Tenho o hábito, diria, terrível, de espelhar nas relações alheias aquilo que são apenas os reflexos do que sinto e senti, e ainda não entendo. Aqui sentada nesta mesa de bar, esvazio-me em mim e pouco penso. Apenas observo o que está ao meu redor. Tendo ou não relações com os outros, os analiso como se fossem pacientes do meu grande consultório.

Saio para pensar em mim, saio para me encontrar e acabo me perdendo neles, os outros,em quem sou e no porquê estou. No porquê disso tudo acontecer. Não sei explicar aos outros o que me fez doer, e volto as minhas relações cansadas do dia-a-dia. Pois diferente de Cartola não sai sem rumo até que me encontrasse. Me perdi, antes de chegar a caminho algum.

Imagem

 

Rio Claro, 01 de junho de 2014.
Andréia Maressa da Silva

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