Coisas de busão

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As grandes cidades e seus transportes públicos superlotados nos proporcionam aventuras inesquecíveis!

 

Quantas vezes, incontáveis, não pude pegar um ônibus em São Paulo, pois estavam cheios? Gente pendurada na porta é mole? Muito seguro, não? Mas não dá jeito, trabalho é trabalho e “eu tenho que chegar lá na hora”.

 

Chegar na hora. Tá aí outra coisa que nunca acontece com o busão; pontualidade. Não sei que diabo de trânsito é esse que não deixa que nada aconteça no seu devido tempo. Isto também vale pra quem está no carro. Mas no busão a gente nunca tem tédio esperando o trânsito acabar. Vou contar algumas histórias…

 

Teve um dia que eu estava tão cansada que dormi de pé acredita? Ninguém ofereceu lugar e eu cai duas vezes.  Essas coisas só acontecem no ônibus, quem está no volante não tem esse privilégio não. Outro dia, vi uma velha (com todo respeito ao processo natural de envelhecimento) dando uns tapas num mocinho que não queria lhe dar o assento. Nessa categoria de confusões de assento, perdi a conta dos que fingem que dormem pra não dar lugar aos que são protegidos por lei.

 

O caso da chuva. É o que dá mais problemas. Choveu a gente fica sem respirar, e sem oxigênio o cérebro não pensa. O ônibus vira uma sauna, isso porque todo mundo fecha as janelas. Meningite de graça a gente pega no busão! Obviamente, é melhor pegar meningite do que molhar um pouquinho o corpo.

 

O motorista, coitado, deve viver em conflito diário pensando se sua mulher lhe trai ou não mesmo. Adjetivos tais como “corno” e “filho da puta” são os mais recorrentes para reclamar de qualquer freada brusca.

 

Entre as “encoxadas” acidentais e as propositais, tenha certeza que ninguém nunca tem certeza de nada. “Eu não vi nada não”. Se o ônibus não fosse tão cheio seria o lugar perfeito pra cometer crimes como o estupro. Mas então, devido as lotações, ficamos apenas com os ataques desse tipo e olhares que arrancam pedaço dos seios, púbis e glúteos femininos.

 

E por falar em crimes, por que não comentar dos roubos que acometem os portadores de celulares? Os bandidos ainda escolhem os modelos! Fascinante a criatividade com que selecionam as frases de abordagem! “Deixa eu ver seu celular, Você tem horas?, Isso aqui é um assalto!, PERDEU!”

 

O vômito muito recorrente no piso e nos bancos não precisa ser exemplificado. Porque tem gente comendo pururuca no ônibus, é desagradável falar disso agora. Deixa-o terminar. Saberemos quando ele jogar o saquinho pela janela.

 

Ainda estamos bem longe do ponto final. Precisamos atravessar esse mar de gente que tem que chegar na hora e não se importa com ninguém a não ser si mesmo. Será que essas coisas acontecem só porque o ônibus está cheio? Ou são mesmo as pessoas dentro dele que não se respeitam? Uma bola de neve, talvez, o governo não nos respeita com o transporte público,  nós não nos respeitamos. Tá tudo errado! Desse jeito vamos sair mesmo da rota e nunca chegaremos ao ponto final.

 

Andréia Maressa da Silva
Rio Claro, 22 de março de 2014.

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