O gene egoísta

 

Estive pensando nas curiosas atitudes que observo na maioria esmagadora das pessoas que se dizem humanas. Ou melhor, nas pessoas que deveriam ter nascido vermes. Mas não o são. Deixa-me explicar.

Os homens primitivos, apontam alguns indícios arqueológicos, num  certo momento do ciclo evolutivo, trabalharam coletivamente para sua própria sobrevivência. É claro que em momentos incertos, quando a coisa ficava feia, um matava o outro.

Século vinte e um, eu e meus colegas de vida (não posso identifica-los). Até vai parecer que eu quero que eles morram ( mas não, não quero, só estou com muita raiva!). 

Não tenho nenhuma comprovação científica se os vermes nascem com um gene egoísta. Gene é, resumidamente, um fator que controla as características e a maneira como cada organismo vivo deve agir. Eu acredito que exista o gene do egoísmo. Concordando com um o título do livro do pesquisador Richard Dawkins (que não tem nada a ver com essa minha reflexão!)

Mas se sim, se os vermes, estes que vivem solitários e errantes dentro de uma pessoa, parasitando-a, tem o gene egoísta, as pessoas de que estou falando encarnaram no corpo errado. Era para serem vermes.

É claro que estou revoltada e falei exageradamente sobre o desejo de morte… O fato é que com esse egoísmo todo, parece que quase me deixariam morrer também numa situação de perigo.

Eu andei pensando se eu não existisse. Algo meio epicurista… Não haveriam muitas diferenças na vida dessas pessoas. Talvez, elas não estariam mais incomodadas com alguém tentando abrir-lhes os olhos: Vocês são muito egoístas, individualistas e medíocres!

É no mínimo chato; pessoas que não dividem as coisas, pessoas que não te perdoam por orgulho próprio, pessoas que não te dão carona, pessoas que não te acompanham até em casa num dia escuro, pessoas que não consolam quem está triste, pessoas que não mudam o restaurante caro por conta de um colega que não tem dinheiro, pessoas que não partilham o conhecimento, pessoas que não dão oi, não dão tchau, pessoas que não se abraçam, pessoas que fazem grupos de amizade impenetráveis, pessoas que não tem compaixão dos pobres, e dos ricos sem informação também, pessoas que desprezam a educação e os professores… E principalmente pessoas que fingem fazer as coisas citadas só quando alguém está olhando, pra que lhe elogiem e cresça o ego. Por que faz bem fazer o bem.

Alguns se salvam. Outros mantêm mesmo, sem dó nem medo, grupos de culto ao egoísmo. E alguns ficam aflitos como eu, pois não conseguem se relacionar direito com nenhum deles.

Parece que a vida de hoje não requer a luta diária pela sobrevivência como o dos tais homens primitivos. Nós estamos nos achando muito, seres humanos! Não somos, nem nunca fomos o topo da vida na terra e do universo. Ainda precisamos nos ajudar! E isso não significa proteger a vida do seu colega contra possíveis predadores, mas protege-la dos males da vida. Os males diários do nosso dia-a-dia, frutos do gene egoísta.

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Andréia Maressa
Rio Claro, 10 de maio de 2014.

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