As casas

 

Andando pelos bairros sinto as casas. Sinto o cheiro da casa na verdade, cheiro de aconchego. Mas não é só o cheiro. Sinto algo muito maior à medida que ponho atenção em cada casa.

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Tenho esse costume desde nova. Olhar bem pra dentro de uma casa assim que ela estiver com a janela ou o portão aberto. E quando fechada, apenas passar perto e sentir seu aroma. Não sei por qual motivo isso me agrada, mas ainda o faço.  

Não estou falando de belas casas. Estou falando de casas de gente. Lugares pra morar.

E não é incrível saber que muita gente por aí que tem um espaço que pode chamar de seu? No caso as casas são feitas em grupo, chamamos aqui de famílias, mas dentro delas, todos do grupo encontram seus espaços.

Carlos Drummond de Andrade, em seu belo poema Casa arrumada, descreve quase tudo que eu sinto. Você já o leu? Acho bom procurar!

Além disso, venho pensando sempre nas pessoas que estão dentro desse espaço cheio de coisas, de móveis, de animais, de plantas… As tais famílias ou grupos.  Estão vivendo e convivendo num espaço, simultaneamente como outras famílias o fazem. Somos todos muito diferentes? As casas mostram que sim. Mas no fundo… Somos no mínimo muito parecidos.

Hoje indo à casa de uma colega do trabalho me peguei na frente do portão de uma casa ouvindo a discussão entre mãe e filha. Aquela velha discussão sobre má companhia. Parece-lhe estranho? Mais a frente, pude ver um casal que se beijava na frente do portão. O homem saiu com carro e continuei minha caminhada. A despedida.

Andando ainda, vi dois carros chegando ao mesmo tempo, em casas distintas. A mulher desceu gritando ao cachorro saudades e o homem desceu desfazendo o nó da gravata. Saudados em sua casa certamente por seus familiares que estavam à espera.

Somos criados de maneira distinta como todos dizem. As casas têm cheiros, formas, utensílios e pessoas diferentes. No entanto dentro de cada casa todos estamos tendo nossas confusões, nossas festas, nossos romances, nossas dívidas, nossas “tem-que-concertar-aquilo”, nossa janta, nosso almoço, nosso “quem-pegou?”, nosso limpar, nosso desarrumar, nosso descanso, nossos animais, nossos amigos, nossos vizinhos, nossa família.

Todos tão diferentes, e todos tão iguais! É claro que nem toda casa tem uma mãe, um pai, dois filhos e um cachorro. Mas toda casa tem gente. E onde tem gente tem confusão.

Andréia Maressa da Silva
Rio Claro, 08 de março de 2014

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