Controle

Muitas vezes parece improvável, mas as coisas fogem do controle. Ainda mais quando quero controlar tudo que me cerca. Você que ainda não aprendeu isso, pode aprender de maneira eficaz em um relacionamento qualquer, digamos, num convívio mais íntimo. 

Hoje fiquei pensando em um filme que assisti na TV, que em português recebeu o nome de ‘ Uma prova de amor’, com a atriz Cameron Diaz.  Conta o filme, a história de um casal que bem cedo recebeu a notícia de que a filha tinha leucemia e para salvá-la faziam de tudo. Inclusive aceitar a proposta de um médico de gerar um filho de proveta que seria doador compatível da criança. Este filho de proveta é uma menina, Anna. Ao crescer ela começa a se recusar a fazer as cirurgias para doar partes de seu corpo à sua irmã.

A menina com leucemia, Kate, prefere que a deixem morrer, mas a luta da mãe é tão grande pra que ela fique viva ao seu lado, que nem percebe a força do pedido – Não queria contar todo o filme, mas… – No final a mãe, Sara, descobre que foi Kate quem pediu a Anna que lutasse para não doar seus órgãos, com a esperança de que assim, ela não tivesse mais doadores compatíveis e pudesse morrer em paz.

É triste ver os pais tomando conta da vida de seus filhos como se nada fosse tirá-los de suas mãos. E mesmo que haja consciência disso, façam muito pouco para deixar que os filhos tenham um pouco mais de liberdade. Não estou dizendo que os pais deveriam permitir que crianças pequenas assumissem suas próprias decisões, como a de enfiar o dedo na tomada e aprender que levar choques dói! Há uma grande diferença entre proteger e controlar. E é nesse ponto que existem os erros que trazem dor pra ambos; os que querem se libertar e os que querem cuidar.

Casais sempre têm problemas semelhantes.  Quando ambos se dão conta estão tomando rumos distintos para suas vidas, acreditando que estavam arrastando um ao outro na direção que escolheram.  Tenho meus planos, meus sonhos, minha carreira e minhas paixões. Quero levar quem amo junto, no caminho todo. Mas mesmo que sigam esse caminho, não seguirão até o fim da vida. Existe um momento inesperado, que a vida leva essa tal pessoa pra longe, ou talvez te puxe pra viver só, pra refletir e viver a sua própria vida. Mesmo o grande amor da sua vida não vai estar com você nesse momento.

Os momentos bons junto às pessoa amadas podem estar se desgastando pelo fato delas quererem ter suas próprias vidas, mas estarem presas. Isso vai ficando doloroso. Eu consigo escrever perfeitamente isso tudo, mas não consigo deixar de fazer. Não me sinto capaz de deixar as pessoas que amo tomarem seus rumos e seguirem suas próprias vidas. Assim deixo de seguir minha própria vida também, pensando sempre em uma maneira de mantê-las ao meu alcance. Então elas fogem, correm mais depressa do que se eu as deixasse voar livremente.

Nesse texto cito apenas as possibilidades entre pessoas, porque gastaria muito tempo dizendo como posso tentar controlar o tempo, meus instintos, meus sentimentos, os sentimentos dos outros… E tantas outras coisas que não estão no nosso controle! E ainda que eu ache que possa controlar coisa alguma, sei que vou me frustrar em algum momento. Talvez seja muito melancólico chegar a tal conclusão. Mas acredito que é o que parece. Vou parar por aqui. Não vou maressar mais sobre isso. Quer dizer, vou tentar. Acabei de me lembrar que também não tenho controle sobre o que penso.

Andréia Maressa da Silva São Bernardo do Campo,27 DE FEVEREIRO de 2013. (Editado em 15 de janeiro de 2014 e 13 de agosto de 2014)

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