Rolo de papel higiênico

Já faz um tempo que eu tenho pensado na problemática da substituição do rolo de papel higiênico. Para os homens talvez só faça diferença na hora do número dois. Mas vou discriminar este assunto hoje, porque fiquei com vontade.

Eu estava no cursinho pré-vestibular quando fiz a terceira promessa com relevância na minha vida. Era meu segundo ano neste sistema de ensino egocêntrico e chato. Eu percebi que todos estavam preocupados com suas apostilas, seus estudos suas vidinhas medíocres… E parei de dar atenção a todos, comecei a sentar no fundo da sala. E foi lá que eu conheci a Yasmin. Assim como eu, ela estava cansada de todos. Yasmin, por onde você anda?

Foram três semanas que estive com ela. E nunca mais a vi, pois vim morar em Rio Claro, bem longe de São Bernardo do Campo, onde fiz o cursinho. Yasmin me ensinou muitas coisas, inclusive sobre o rolo de papel higiênico. Todo intervalo entre as aulas era uma correria para chegar ao banheiro. Quando chegávamos lá, sempre tinha muita fila enorme, onde as meninas falavam ou sobre menstruação ou sobre homens.

Mas sempre que era a vez dela, ela saia xingando de dentro da cabine com muita raiva: “Poxa¹! Por que ninguém nunca se lembra de colocar outro papel? Ou pelo menos avisar que acabou?!” Os papéis ficavam dentro do banheiro, muito próximos às cabines. Se você foi o último a usar, pode muito bem colocar outro – pensava assim a Yasmin. Então, numa de suas crises sobre o papel, ela me fez prometer que eu sempre substituiria o rolo no devido lugar. E ainda cumpro essa promessa aonde quer que eu vá. [¹PALAVRA substituída para evitar constrangimentos]

Yasmin tinha razão. Fazendo isso estamos pensando no outro, que vem depois, mesmo sem conhecê-lo. Afinal quando chegamos apertados, lá estava o papel, não ficamos atrás dele naquela situação chata (que não quero descrever). Pensar no outro. Isso não existe mais. Ainda mais naquele ambiente competitivo e individualista.

Ela sabia, ao contrário de mim, que não se tratava só do papel, mas sim o que estava por trás de não substituí-lo.

As pessoas dizem que se importam umas com as outras. Mas elas só dizem. Isso é o mínimo que se pode fazer pensando em outra pessoa. Claro, que alguns podem substituir um rolo de papel higiênico no automático (sem pensar nas baboseiras aí de cima) e não significa que elas se importem com os outros de fato. Afinal de contas, como já dizia Kant, pra ser moral faça o que deve ser feito, independente do que está sentindo. Não precisa ter compaixão substituir o rolo de papel higiênico é uma atitude moral. Um dever de todos.

Por favor, mesmo que você não ligue pra quem vem depois de você, substitua o papel higiênico! Quando você chegou ele estava lá. Prontinho pra ser usado no seu cú.

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Andréia Maressa da Silva
Rio Claro, 01 de Dezembro de 2013.

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