Maneje com cuidado

Foi quando eu também percebi que a vida é frágil.

fragil

Um dia, como todos os muitos outros que me impulsionam a escrever, aconteceu algo fora dos padrões que para mim sempre foram normais. Eu vi alguém especial chorar.

Bem, quem tem crianças de colo deve estar acostumado com aquele chorinho diário. Mas, quem chorou nesse dia foi uma amiga, que tem se tornado cada dia mais especial para mim, acrescentando muito em minha vida. Será que devo colocar o nome dela aqui? (Vou chama-la de 314 pra não dar problema depois)
Eu nunca a tinha visto chorar. E nesse dia quis chorar junto com ela… Não porque compactuava exatamente da mesma dor que ela, mas por não achar um conforto. Nada! Eu e ninguém poderíamos fazer nada! Nada mudaria a dor que ela sentia.

Antes que ela chorasse, quando começamos a conversar, um sentimento ruim me atravessou. E perguntei  – 314, Você quer me falar algo? – E assim, ela finalmente me disse, chorando, que seu cachorro de tantos anos de companhia estava morto. – A vida é tão frágil! – Ela me disse. E eu não pude fazer nada mais além de concordar.

Prometi alguns anos antes de minha avó falecer que não choraria em seu enterro. E assim foi. Foi o que fiz de melhor até hoje. Ainda estou cumprindo muitas promessas que fiz e não pude cumprir. Mas nessa acho que acertei, pois de antes, ela já vinha me preparando para sua ausência. Para que eu não ficasse tão triste.

Esses dias, saí com um cara, e não conseguia parar de falar das pessoas que amo. Principalmente da minha família, da minha avó em especial. Ele me disse – Puxa como você fala da sua família!  – Como estão vivas as lembranças da minha avó morta.

A vida é frágil, 314! Sim você tem razão, ela passa rápida e às vezes despercebida. Conheci pessoas indo embora sem que eu pudesse me despedir. Conheci pais que não puderam trazer seus filhos ao mundo, porque os filhos se foram antes do tempo de gestação. Vi pessoas se queixarem de não terem aproveitado de todo sua estadia no planeta Terra. Aprendi com crianças que em pouco tempo fizeram a diferença com suas vidas, mas nos deixaram. Conheci animais que como o teu, 314, deram ânimo de vida para muitos e se foram sem nenhum motivo que parecesse justo.

[O pé de feijão que plantamos juntas, você se lembra? Hoje pela manhã olhei para ele, e não sei como te contar, mas ele está morrendo. Aquele pequeno feijão, cresceu rapidamente e trouxe diversos sentimentos de felicidade, não? Mas essa plantinha tem um tempo de vida bem curto, como o nosso tempo. Além de ser muito delicada. Como poderíamos prever que algumas bicadas de passarinhos nas folhas pudessem causar tanto dano? Não podemos amaldiçoa-los, eles também têm que viver. Enfim, aí está mais um exemplo de que não podemos proteger aqueles que amamos de tudo. Não dá pra prever!]¹.

314, as perdas hão de vir, além dessas que temos vivido. E mesmo que coloquemos plásticos-bolha nas vidas estaremos sujeitos a perdê-las. Chegará a hora de muitos outros queridos e nossa hora também, mas não vamos nos preocupar. Hoje já sabemos que a vida é frágil demais pra tentarmos protege-la dos males que a cercam. O que nos resta é cuidar desses ‘objetos frágeis’ com o maior zelo possível, tratando para feri-los minimamente, lembrando sempre que nunca saberemos quando será a nossa última vez com esses.

Andréia Maressa da Silva
São Bernardo do Campo, Junho de 2013.
¹Trecho acrescentado em 19 de outubro de 2013

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