O par de meias

                Desci as escadas da loja com um par de meias na mão e um sorriso no rosto.
               meias

               Era um sábado ensolarado, por sinal ensolarado até demais! Comecei o dia tomando o tradicional café com a família, e também já esperava que alguns fossem sair. Quando surgiu o convite feito por minha mãe: Quer ir no centro? – Que centro? De São Paulo?-  É, eu vou com sua irmã pra lá – Não! Tá muito quente! E lá tem gente demais! – Tudo bem.
                Meia hora depois, estavam as três no carro, agora na companhia de uma amiga. Um passeio de mulheres! Vamos fazer compras no Bom Retiro! – Claro que eu não estava animada assim, mas foi o suficiente para me tirar de casa.
Mas andar cansa. Olhar roupas cansa. Esbarrar em pessoas cansa. Entrar em lojas cansa. Respirar cansa. Não vá você pensar que eu só reclamo! Pois isso foi o que eu senti quando tive que subir uma escada, depois de andar toda a José Paulino num sábado ensolarado,  pra comprar mais UMA calça! E, adivinhe o que tinha no topo, na porta de entrada da loja… Uma cadeira! Parecia reluzir! Ela dizia com aquela voz sedutora e educada, muito convidativa por sinal: Sente-se, vamos sente-se. – Ah! Não! Vai ser rápido – Eu pensei – Vou acompanha-las, e tenho certeza que logo estaremos á caminho de casa.

“E, a senhora tem camisa polo também?” -Decidi que era melhor me sentar – Achei mais duas cadeiras na loja, mas estas estavam de frente a uma mesa cheia de livros e papéis, e um senhor, de idade avançada, mexendo naqueles papéis. Eram cadeiras antigas, de madeira boa, pintadas de bege pra combinar com nada do que havia na loja, exceto com senhor que estava sentado nelas.

–Sente-se, você parece cansada.
– Ah, obrigada. E, estou mesmo.
– Sabe, é muito bom reidratar quando estamos andando assim. 
Leitor, não sei como escrever um sorriso.
-Puxa, que belo sorriso você tem!!!

E assim continuou o nosso diálogo, sobre muitas coisas bonitas. Falamos sobre aves, sobre poemas sobre a juventude, sobre a universidade, sobre Biologia,  o jovem que vendeu o Facebook, falamos de possibilidades… E aquele senhor se mostrou uma pessoa muito culta para muitos assuntos.  Espera! Moisés era o nome dele. Sim, Moisés.  Ele me deu uma lembrancinha! Ganhei um par de meias.

                “Cadê a Andréia?” “Ah,  lá está ela…Tchau Andréia!”
                -Bem tenho que ir…
O Sr. Moisés me acompanhou até a porta, e insistiu para que eu escrevesse poemas sobre as aves, também me incentivou a usar mais o computador, e a falar inglês…

-Você fala inglês?

-Bem, não muito…

-Quer ver como você fala inglês? I love you.

E ri.

-Ah, em tantos anos de vida nunca vi uma profissão tão bonita quanto a sua,  parabéns!

                    Fiquei orgulhosa e muito feliz! Ainda vou visitar o Sr. Moisés com certeza… Mas o que me moveu a relatar este episódio foi o fato de encontrar alguém em um contexto totalmente aleatório incentivando-me a fazer o que faço de maneira tão poética.

Andréia Maressa da Silva
São Bernardo do Campo, 09 de janeiro de 2013.

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